Caso Clínico: Vida Bloqueada

Mulher de 32 anos, solteira.

A paciente me relatou na entrevista de avaliação (anamnese) que desde os 12 anos sofria de depressão, rejeição pelas pessoas, vergonha, timidez, medo da vida. Por conta de uma briga de herança familiar, ela, seus pais e irmãos foram despejados da casa onde moravam e por um tempo foram morar na garagem do vizinho até juntar dinheiro para alugar uma casa.

Há um ano e meio fez tratamento de desobsessão espiritual num centro espírita, e nesse tratamento sentiu calafrios, tremedeira de frio, peso nas costas e dor de cabeça. Era bióloga de formação, mas não conseguia arrumar emprego em sua área. Então, resolveu prestar concurso público e foi aprovada, mas nunca foi chamada. Chegou a procurar emprego de recepcionista, auxiliar de farmácia, laboratório, passou nos testes, mas também não lhe deram retorno.

Aos 22 anos sentia fraqueza, pois perdeu mais de 30 kilos, fez tratamento médico, seu corpo ficou em carne viva, cheirava mal, vazava líquido, mas acabou se curando. Hoje, por conta desse problema, não pode ficar muito tempo exposta ao sol. Quando criança, aos cinco anos, foi molestada sexualmente pelo vizinho e irmãos.

Recentemente se relacionou com um homem pela internet, mas, toda vez que marcavam um encontro, ele não aparecia e nem lhe dava satisfação. Entrou em depressão, tentou suicídio e desenvolveu o transtorno de pânico.

Finalmente, acabou se encontrando com ele, o Marcos (nome fictício), e namoraram 5 meses até descobrir pelo facebook que ele a traía, que estava se relacionado com outra mulher. Foi tirar satisfação, discutiram, e ele resolveu terminar o namoro. Após o rompimento, não conseguia se desligar dele, esquecê-lo, pensava direto nele, a ponto de acordar angustiada, com dor no peito, de madrugada acordava assustada ouvindo o seu ex-namorado chamá-la, via sua imagem suada, ofegante, pedindo desesperado a sua ajuda.

Quando ia dormir tinha medo, pois sentia também a presença de um ser das trevas – embora não o visse – seus pés ficavam gelados, sentia calafrios, tremedeira, e mesmo se cobrindo com várias cobertas, o frio, o tremor não passavam. Escutava esse ser das trevas dizendo-lhe que não iria ser feliz com outro homem, que ela era dele(paciente intuía, sentia que esse ser espiritual era um homem).

Por último, veio ao meu consultório querendo entender por que ela e sua família não prosperavam, pois segundo ela, o dinheiro ”sumia”, ”ia pelo ralo”. Enfim, sentia que sua vida estava amarrada, bloqueada.

Na 1ª sessão de regressão, após ter passado por um relaxamento corporal progressivo, pedi que a paciente visualizasse um portão (recurso técnico utilizado nessa terapia, que funciona como um portal que separa o mundo físico do mundo espiritual, o passado do presente), e assim ela me relatou: ”Vejo muita terra misturada com lama…É um lugar muito escuro, enlameado e gelado(a paciente estava descrevendo o astral inferior, as trevas). Têm seres espirituais no chão, todos maltrapilhos e sujos – são homens e uma mulher”.

– O que eles fazem no chão? – Pergunto à paciente.
“Estão deitados, uns agonizam de dor, e outros choram…Tenho a impressão que aquele homem, ser espiritual das trevas, que o sinto em meu quarto quando vou dormir está aqui no consultório”.

– Pergunte se ele tem algo a lhe dizer?
”Ele chora e afirma que se falar comigo vai ter que ir embora, sair de minha vida, mas que não quer isso, que não vai me deixar”.

– Pergunte-lhe o que vocês foram no passado, em outras vidas?
”Ele não responde”. (pausa).

– Então, pergunte o que ele sente por você?
”Diz que gosta de mim, e que me quer só para ele. Afirma que vem me acompanhamento desde quando estava no útero de minha mãe”.

– Em que ano, a época que vocês viveram na existência passada?
”Fala que foi na Europa, em 1894″.

– Qual a ligação, o que vocês foram nessa vida passada?
“Diz que éramos adolescentes, namorados, mas que preferi ficar com outro rapaz”.

– Pergunte-lhe como ele veio a falecer nessa existência passada?
”Diz que se enforcou por minha causa, e que o rapaz com quem fiquei nessa vida passada é o Marcos, meu ex-namorado de hoje. Fala que não vai deixar a gente ficar juntos (paciente chora)”.

– Pergunte-lhe qual era o nome dele nessa vida passada?
“Diz que era Jean… Eu digo que não foi minha intenção prejudicá-lo, quero que ele me perdoe se o magoei. (pausa). Ele chora, afirma que se me perdoar vai precisar ir embora, mas não quer fazer isso”.

– Pergunte-lhe se ele sabe que com isso está te prejudicando?
“Fala que sabe, esclarece que é ele que vem provocando minhas depressões, e que fez com que eu tentasse o suicídio para ficar com ele nas trevas; enfim, é ele que bloqueia minha vida”.

– Pergunte-lhe se ele já conversou com algum ser de luz?
”Afirma que sim, que aceitou ser tratado no plano de luz, mas que não conseguiu ficar longe de mim. Afirma ainda que sabe que nunca o amei, e que apesar de ter sido um homem rico, eu não o quis. Por isso, ele quer que eu sofra, que sinta na pele o sofrimento que lhe causei”.

– Vamos juntos fazer a oração do perdão, emanando-lhe a luz dourada de Cristo – Peço à paciente. (pausa).
”Agora, consigo ver o seu rosto, está chorando…Antes o vi sujo e com a roupa toda rasgada. Ele é loiro, pele branca, usa camisa branca, calça bege e botas pretas. É roupa de época”.

– Fale para ele que se for da vontade de Deus vocês ainda vão se reencontrar, e que irá orar por ele, pois a prece é o alimento da alma. (pausa).
“Ele diz que está sendo muito difícil, doloroso ficar sem mim, mas que se sentiu bem, amparado ao receber a luz dourada de Cristo que emanamos para ele. Afirma que se arrepende de ter me prejudicado, mas que me culpava por ter tirado sua vida, pois no umbral, nas trevas, os seres trevosos lhe falavam que a culpa era minha por ele ter tirado sua vida”. (pausa)

Na 2ª sessão de regressão, a paciente me relatou: ”Vejo um hospital do Astral, são seres de luz com roupas brancas e vários pacientes deitados nas macas. Vem um médico, pega em minha mão e me conduz até uma das macas. Diz para ficar calma, não ter medo, pois irei passar por um processo de limpeza espiritual…Agora estou deitada, ele chama uma enfermeira que coloca em meus chacras(centros energéticos do corpo espiritual) compressas molhadas com água fluidificadas. Ele esclarece que está me revitalizando, equilibrando-me para eu poder estar mais firme em minha jornada terrena”.

– Como você se sente? – Pergunto à paciente.
”Bem leve, relaxada, sinto um calor, uma energia agradável, vejo a luz rosa em meu chacra cardíaco. Agora retiraram as compressas, eles me dão uma túnica branca para vestir e estão me conduzindo, dizem que vou ver uma pessoa muito especial. (pausa).

Estou agora num jardim do astral bem amplo, gramado, muitas árvores, o local é bem agradável, sereno, de muita paz, tem um lago. Vejo muitas crianças brincando e adultos também, todos vestidos com túnicas brancas. A enfermeira que segurava a minha mão e que me conduziu a esse lugar me diz que chegamos…Vejo a minha avó paterna, ela vem ao me encontro – há mais de 20 anos que ela faleceu. Ela me abraça, fala que há muito tempo esperava por esse encontro, mas que só agora teve permissão para conversar comigo.

Fala também que está muito feliz em me ver, revela que agora vou começar a viver de verdade, que os meus caminhos vão se abrir, mas que preciso ser mais forte e determinada. Pede para ter um pouco mais de paciência, que embora eu não entenda, tudo tem um tempo certo para acontecer na vida, que tudo tem uma solução, uma explicação e razão de acontecer nos desígnios de Deus.

Vejo uma moça se aproximando em minha direção, veste um roupão azul claro, tecido esvoaçante. Ela é branca, cabelos pretos e compridos, tem uma expressão facial bem serena e aparenta ter no máximo 40 anos. Ela sorri, diz que é a minha mentora espiritual. Afirma que estou no caminho certo, repete o que a minha avó paterna havia me dito na sessão passada: – Tenha paciência e seja mais determinada”. (pausa).

– Pergunte-lhe qual é a sua principal lição de vida na encarnação atual?
”Diz que é dar e receber amor, principalmente, dar”. (pausa).

– Pergunte à sua mentora espiritual por que você foi molestada sexualmente pelo seu vizinho e irmãos quando criança?
”Revela que esse acontecimento serviu para o aprendizado de todos. Eles tiveram filhas e lembraram do que fizeram comigo, mas todos se arrependeram, e isso fez com que eles tivessem mais amor pelas filhas. Em relação a mim, ela fala para não me revoltar, pede para que os perdoe de coração, pois antes de encarnar na vida atual, no plano espiritual, fiz um acordo de só pertencer a um homem e passar por esse abuso sexual na infância. Com isso, iria me retrair, não ter desejo sexual por outros homens, e me preservaria para o meu verdadeiro amor”.

– Pergunte-lhe quem seria esse homem que está destinado a você?
”Afirma que é o Marcos, meu ex-namorado (a paciente me disse na entrevista de avaliação que foi com ele que perdeu a virgindade), por isso a minha mentora espiritual me pede paciência porque o Marcos está em seu processo de aprendizado, mas me assegura que no momento certo ele vai me procurar porque precisa de ajuda espiritual, pois está sem rumo e, com isso, alguns espíritos das trevas aproveitam-se, assediando-o”.

– Pergunte-lhe de que forma você pode ajudá-lo?
”Fala que por enquanto é orando para o seu anjo guardião, e quando ele me procurar saberei como ajudá-lo melhor. Pede apenas que confie na espiritualidade e reafirma novamente que no momento certo o Marcos irá me procurar, e que embora não acredite, vou ainda ser muito feliz com ele”.

– Pergunte à sua mentora espiritual qual o seu verdadeiro caminho espiritual e profissional?
”O espiritual, ela afirma que eu tenho o dom de cura pelas mãos, mas que tenho que parar de duvidar de minha mediunidade, e que também no momento certo vou sentir, intuir, qual o lugar certo para desenvolvê-lo melhor. Em relação ao meu profissional, explica que daqui para frente qualquer área que escolher serei bem sucedida”.

– Pergunte-lhe se era o Jean, seu obsessor espiritual, que estava bloqueando a sua vida?
”Diz que sim, afirma que ele ainda fica perto de mim, mas que tem sofrido muito porque ao mesmo tempo que quer me deixar, acaba tendo aquele sentimento de posse, tem recaídas, e aí quer ficar comigo. Mas esclarece que ele vem recebendo os fluídos – através da oração do perdão que venho fazendo para ele – e isso o tem ajudado muito, pois já tomou consciência que precisa me deixar. Ela pede novamente para ter paciência e calma, para continuar fazendo a oração do perdão para ele, emanando-lhe a luz dourada de Cristo até não sentir mais a presença dele. (pausa).

Eu lhe pergunto por que a energia de casa é pesada, conturbada, tudo quebra e a falta de dinheiro.
Ela responde que a minha família traz uma magia feita, trabalho feito, há muitos anos atrás. Mas me assegura que as equipes dos trabalhadores da luz estão dissipando essas energias ruins. Ela me mostra a imagem de um cemitério e diz que algo está enterrado ali, mas fala para não me impressionar com o que ela me mostrou, para não me preocupar, pois o mais importante é que a equipe espiritual está dissolvendo, limpando tudo em minha casa. Pede para confiar, ter fé, que tudo vai se resolver. Agora me mostra a minha casa iluminada, rodeada pela luz dourada de Cristo”.

– Pergunte-lhe se você terá que voltar a essa terapia?
”Diz que não preciso mais, pois ao ter passado pela limpeza espiritual no Astral na sessão passada, os resquícios dos meus resgates cármicos foram limpos. Ela agradece ao senhor como facilitador, mediador nessa terapia…Está se despedindo, indo embora”.

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2 comentários em “Caso Clínico: Vida Bloqueada

  1. Se alguém puder me ajudar. minha vida é uma bosta, desculpe o termo. Tenho uma sensibilidade grande e pego tudo que tem de ruim por aí. Quando avanço na vida, em seguida da´tudo errado. Pensamento positivo, limpeza, oração, nada disso funciona. Meu problema é real e as soluções que me propõem são “mágicas”, temporárias e paliativas. E ainda sou censurado e acusado pelos olhares por ser responsável pelos meus problemas. Não sou um santo, vou ter maus pensamentos e baixarei minha frequencia esporadicamente. Só que isso não justifica meu infortúnio. As outras pessoas que vejo por aí, positivas, batalhadoras, felizes, também tem seu momentos difíceis, mas não se debilitam como eu. É claro que há a possibilidade de ter nascido para sofrer, só que eu não quero mais.

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