Caso Clínico: Auto-mutilação e bulimia

images (11)Mulher de 22 anos, solteira.

Ela veio ao meu consultório por sofrer de auto-mutilação (comportamento intencional para aliviar dor emocional e desconforto envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção de se suicidar) e bulimia (transtorno alimentar caracterizado por períodos de compulsão alimentar seguidos por comportamentos não saudáveis para perder peso como induzir ao vômito, uso de laxantes , dietas inadequadas, etc.).

Há um ano que vinha fazendo tratamento psiquiátrico, tomando medicação e psicoterapia com uma psicóloga. Aos 15 anos que iniciou a auto-mutilação, ao presenciar as brigas constantes dos pais, com raiva pegou um caco de vidro e cortou seu braço. Com isso, sentiu um alívio.

A partir daí, continuou com a auto-mutilação, cortando com gilete os braços, barriga e pernas, e queimava também seu corpo com plástico derretido e água fervente. Hoje, estava provocando cortes mais profundos porque já não sentia mais nenhuma dor com os corte superficiais. Sofria também de bulimia – após comer, provocava vômitos introduzindo o dedo em sua garganta por ter medo de engordar. Por conta desse transtorno alimentar, chegou a pesar 36 kilos, mas acabou recuperando o seu peso. Porém, só ingeria diariamente um copo de leite e esporadicamente fazia suas refeições.

Tinha pesadelos constantes e quando estava dormindo escutava uma voz masculina falando para se cortar que era bom, e que era a única solução para se sentir melhor. Mas mesmo acordada, escutava a mesma voz dizendo-lhe que “o cerco estava se fechando”, que ela era dele, e viu uma sombra ( é sempre um ser espiritual das trevas) passando em sua frente. Às vezes acordava gritando, arranhada, ou caída no chão sem saber o porquê.

Segundo a paciente, essa voz masculina a acompanhava desde os 9 anos e nessa idade lembrou que acordou de madrugada e viu um rosto disforme que passou bem rápido na sua frente. Dormia sempre de meia, mesmo em época de calor, pois sentia muito frio nas mãos e nos pés (quando um paciente está sendo obsediado, ou seja, assediado por um ser espiritual das trevas, é comum sentir frio nas extremidades do corpo pelo fato desse ser emanar as vibrações da atmosfera das trevas que é uma região muito gélida).

Na primeira sessão de regressão, ela me relatou: “Vejo uma cena de uma vida passada, sou mulher, meus cabelos são compridos, uso um vestido longo, de uma época antiga, e aparento ter uns 18 anos. Parece que eu estava presa numa casa e agora estou descobrindo como é estar fora dela. Ela é bem grande, tem um jardim enorme na frente”.

– Quem te prende nessa casa? – Pergunto à paciente.

“Não consigo saber…Aquela voz masculina que me acompanha desde os meus 9 anos fala: – Para que tudo isso? Você não vai conseguir nada nesse tratamento! (paciente fala chorando e ofegante).

– Pede para esse ser espiritual se identificar?

“Ele não se identifica, mas faz questão de me dizer que sou dele”.

– Pergunte-lhe o que houve entre vocês no passado?

“Diz que gosta de mim, mas, ao mesmo tempo, me odeia”.

– Pergunte o que você fez para ele?

“Afirma que eu não quis ser dele, por isso vai me judiar até o fim”.

– O que aconteceu para você não ser dele?

“Fala que o troquei por outro homem”.

– Pergunte por que você fez isso?

“Ele não me esclarece, só diz que essa terapia não vai me ajudar em nada”.

– Vamos juntos fazer a oração do perdão, emanando-lhe a luz dourada de Cristo – Peço à paciente. (pausa).

“Meus braços estão pesados e dormentes(ela estava sentindo peso nos braços porque esse ser das trevas, seu obsessor espiritual, estava segurando-os para que não emanasse através de suas mãos a luz dourada de Cristo, e a dormência, porque ela estava sentindo o campo vibracional desse ser)”.

– Vou contar de 4 a 1 para ver se vem mais alguma coisa nessa sessão?

“Ele fala que vou morrer, que vai tirar a minha vida (paciente fala chorando)”.

No final da sessão, pedi para que ela fizesse em sua casa a oração do perdão de coração para esse ser espiritual obsessor , emanando-lhe a luz dourada, o amor Crístico”.

Na segunda sessão de regressão, ela me relatou: “Vejo um rapaz que me espera…Ele é negro, aparenta ter uns 19 anos, está do lado de fora daquela casa que vi na sessão passada. Saí escondida, estamos passeando, a gente caminha por entre as árvores, vejo pássaros, estamos rindo. Agora, sentamos numa pedra, estamos conversando, e, na frente, tem um rio. Ele me mostra a paisagem, me leva a lugares que nunca estive, pois vivia presa naquela casa. A gente caminha pela floresta e, seguindo mais adiante, o sol aparece. (pausa).

Ele agora fica triste porque sabe que tenho que voltar àquela casa. Na verdade, eu moro nessa casa com os meus pais adotivos que me maltratam, me prendem, não me deixam sair a lugar nenhum. Volto para casa e esse rapaz negro vai embora. Uma senhora negra – empregada da casa – abre a porta para mim e entro escondida para que os meus pais não me vejam. Subo a escada , vou direto para o meu quarto, e fico relembrando como foi o meu dia com aquele rapaz. (pausa).

Escuto agora alguém dando gargalhadas, dizendo-me: – Pára, você é uma idiota mesmo!

É aquele ser das trevas, meu obsessor espiritual, que me acompanha na vida atual desde os meus 9 anos”.

– Pergunte se ele vem recebendo suas orações?

“Diz que não acredita nisso, que ele é mais forte”.

– Então, pergunte como ele vem sentindo com as suas orações?

“Gargalha e fala de forma debochada que não fez nenhum efeito sobre ele. Completa dizendo: – Sabe o que realmente quero? É o seu sangue (o obsessor espiritual fala isso para atemorizá-la).

Eu lhe pergunto o que fiz ? Ele responde dizendo que logo vou saber”. (pausa).

– Pergunte a esse ser por que ele tem tanto ódio de você?

“Diz que, na verdade, ele sente prazer em me ver sofrer”.

– Pergunte se ele tinha parentes, entes queridos na vida passada em que vocês viveram juntos?

“Fala que os únicos entes queridos eram os seus pais, mas que se suicidaram”.

– Qual foi o motivo desse ato?

“Diz que eles se cansaram da vida medíocre que levavam como escravos. Revela que aquela senhora negra que vi abrindo a porta daquela casa era a sua mãe, e ele também era escravo nessa existência passada. Ou seja, aquele rapaz negro que me levava para passear era ele. Mas me acusa dizendo que o troquei por outro homem. Finaliza dizendo-me que era isso que tinha para me falar hoje, que não vai me falar mais nada”.

Na terceira e última sessão, a paciente me relatou: “Vejo novamente a mesma casa…Aquela senhora abre a porta , entro correndo e a minha mãe adotiva fica brava por eu ter saído. Ela grita, fala que arrumou um marido para mim, e que só assim vai ficar livre de mim. (pausa). Acabo conhecendo o meu futuro marido… não gostei dele. Mas fui forçada a casar com ele. (pausa).

O meu obsessor espiritual está me dizendo: – Você não foi minha, por isso sofreu a vida toda com esse casamento. Mas vai sofrer mais ainda pelo sofrimento que me causou naquela vida passada… Hoje percebo em sua fala que ele não está com tanto ódio de mim como na sessão passada. Ele fala que pensou muito nesses dias, mas me adverte que não vai parar de me fazer sofrer”.

– Pergunte como ele vem se sentindo com suas orações?

“Diz que vem se sentindo melhor, mas que não vai me deixar de imediato. Fala que fui eu que lhe dei brecha para fazer isso comigo – as minhas auto-mutilações. Explica melhor: – Você não estava em comunhão com o seu Deus e isso facilitou o meu assédio. Você estava perdendo a sua fé, mas reconheço que agora ela está aumentando, e isso diminuiu a brecha para te assediar. Mas quero lhe dizer que só irei embora quando realmente você se fechar, não deixar mais nenhuma brecha para mim.

Esclarece que enquanto houver uma pequena brecha, vai continuar me fazendo sofrer levando a me mutilar. Finaliza dizendo: – Vamos ver se você vai ser forte o suficiente, quem vai ganhar? É só isso que tenho a lhe dizer.

Vejo-o no consultório como uma sombra. Ele está dando as costas para mim… Acho que foi embora”.

– Pergunte em pensamento ao seu mentor espiritual se ele tem algo a lhe dizer? ( a comunicação com os seres desencarnados ocorre em pensamento, portanto, intuitivamente)

“Na verdade, é uma mulher. Ela é branquinha, jovem, uns 30 anos, cabelos lisos, olha para mim, segura as minhas mãos e pede para ficar tranqüila, que vou ficar bem”.

– Pergunte o que ela tem a lhe dizer desse obsessor espiritual?

“Diz que ele colocou suas condições e tenho que acatar e lutar para me libertar dele; caso contrário, não vou conseguir me livrar, ele vai continuar me obsediando”.

– Pergunte à sua mentora espiritual o que você precisa aprender com ele?

“Afirma que é fortalecer, aprofundar a minha fé, que tenho que acreditar mais em mim, saber que posso, que sou forte, e que ninguém vai me dominar, subjugar”.

– Pergunte-lhe de onde vem a sua bulimia?

“Revela que numa vida passada fui uma mulher excessivamente vaidosa, que só me preocupava com a aparência, beleza física, era superficial, fútil, e não me preocupei em me desenvolver como ser humano. Ela explica que a bulimia é um resquício de minha personalidade negativa que ainda trago dessa vida passada, e que o sofrimento que esse transtorno alimentar me causa, obriga a rever meus valores, a interiorizar-me mais e não valorizar tanto o meu corpo físico como fiz no passado”.

– Pergunte-lhe a causa de você acordar gritando e arranhada?

“Diz que são os seres oportunistas das trevas que me assediam também quando estou dormindo. Por isso, além das orações que são imprescindíveis, devo estar sempre em vigília, atenta, ter mais parcimônia não entrando em contato com coisas ruins, pois afirma que entro na internet para buscar filmes e documentários de terror. Pede para não fazer isso, não entrar em sintonia com os seres das trevas. Ela diz que era isso que eu precisava saber nessa terapia, e que não tem mais nada a me acrescentar”.

– Pergunte-lhe qual é o seu nome? – Peço à paciente.

“Ela sorriu e diz que é Celeste”.

Após o tratamento, a paciente me informou que havia diminuído bastante sua auto-mutilação, estava também se alimentando melhor, e que esporadicamente ainda ouvia aquela voz masculina, seu obsessor espiritual, mas que não tinha mais aqueles pesadelos que a atormentavam”. 

Foto: reprodução

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