Medo de Amar

O coração é bastante grande para conter muito amor.
Quanto mais você o dá, mais você o tem.
– Victor Hugo.

Por que tenho medo da intimidade?

Por que tenho medo de me entregar?
Por que os meus relacionamentos amorosos não dão certo?

Essas são as perguntas mais comuns da maioria das pessoas que me procuram no consultório. A causa do insucesso amoroso está no medo de amar, no medo da intimidade, de se entregar. São tantas as mágoas, desilusão que se carrega do passado!
Em verdade, sua vida afetiva é péssima porque ainda está presa ao passado (embora, muitas vezes, não admita!) e existe em você uma quantidade enorme de desilusão. E o que acontece? Você cria uma resistência em se entregar. E isso impede que você tenha sucesso na esfera amorosa.

A maioria das pessoas não percebe que essas mágoas, desilusões advindas do passado, acabam afastando as pessoas boas, amorosas, que são capazes de amar. Os relacionamentos são ruins porque sua energia não é boa, isto é, você cultiva crenças negativas a respeito do amor. Muitos dos meus pacientes antes de se submeterem à regressão, não têm consciência dessas crenças.

Desta forma, o objetivo da TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 – é fazer o paciente ver suas mágoas, feridas e decepções de seu passado, que o impedem de se entregar nos relacionamentos amorosos. Não há espaço para se realizar afetivamente se ainda está preso ao seu passado.
Em muitos casos, essas feridas se originaram de um passado mais remoto, em vidas passadas, e continuam abertas pelo fato de você ter sido criado num lar onde o desamor, a violência e o descaso estavam presentes.
Levine, um biólogo americano, numa investigação feita com ratos demonstrou que além do desenvolvimento físico, mental e social, também os processos bioquímicos são afetados pela ausência de estímulos e contato físico.
Ele fez a experiência com três grupos de ratos (filhotes), colocando-os em gaiolas separadas.

No 1º grupo (A), ele dava pequenas descargas elétricas; no 2º grupo (B), ele manuseava os ratos, isto é, pegava-os para colocá-los em outras gaiolas; e, no 3º grupo(C), ele simplesmente ignorou os ratos, não deu choque elétrico e nem os pegou, só deu comida e água.

Após três meses de experiência, adotando os mesmos procedimentos diariamente com esses três grupos de ratos, Levine os colocou juntos numa gaiola maior e observou o comportamento deles.

O grupo A (que levou descarga elétrica) demorou em explorar o novo ambiente, mas acabou buscando comida. O grupo B (o manuseado) imediatamente resolveu explorar o ambiente para buscar comida e o grupo C (ignorado) ficou encolhido, com os ratinhos amontoados entre eles, trêmulos, e, em nenhum momento, exploraram o ambiente.
Conclusão da pesquisa: Levine concluiu, portanto, que qualquer estímulo, ainda que negativo, é melhor do que nenhum.

Transpondo para nós, seres humanos, podemos dizer que um beijo é melhor que uma tapa, mas quando não o obtemos, pelo menos vamos buscar uma tapa, melhor do que a indiferença. Aqui explica, em muitos casos, o porquê da criança ir mal na escola, ficar doente, ter comportamentos agressivos em lares onde impera o desamor e, pior, a indiferença. Explica também o porquê de muitos casais cultivarem um relacionamento tóxico, doentio, na base da agressividade, violência, ofensas, maus tratos, etc.

Em verdade, nós incorporamos o modelo relacional de nossa família. Se você foi criado num ambiente de afeto, ternura, aceitação, reconhecimento, atenção e contato físico, a tendência será de se recriar esse ambiente saudável em seus relacionamentos social, conjugal, familiar e de trabalho.
Entretanto, se foi criado num ambiente familiar de pouco afeto, atenção, violência, de maus tratos e humilhação, a tendência é você desenvolver sensibilidade para reproduzir com as pessoas esses comportamentos destrutivos. Daí porque muitas pessoas, apesar de receberem elogios, atenção, carinho, não se sentem bem, ficam até agressivas ou mesmo bastante constrangidas.

Mulheres que apanharam muito dos pais na infância, tendem a receber com mais naturalidade a violência do marido.

Um estudo dos psicólogos da Vara da Infância e Juventude de São Paulo constatou que crianças espancadas tendem a se tornar futuros pais espancadores. Da mesma forma, crianças abusadas sexualmente tendem a se tornar adultos abusadores. Em verdade, muitos estupradores foram estuprados quando eram crianças.
Boa parte da amargura das pessoas tem algum problema grave na área da ternura. Neste sentido, a ternura tem uma força sobre as relações humanas e com a atrofia dela, você se torna seco. Sofre do que eu chamo de “secura de afeto”.
O pior é que muitas pessoas não percebem que são secas, isto é, são disfuncionais do ponto de vista amoroso. São aquelas que respondem só o necessário, não conseguem intimidade com ninguém. Como estão no auto-abandono, experimentam a dolorosa sensação de solidão.

Mas, o pior é a solidão a dois, isto é, o casal está junto fisicamente, porém, não se entrega, pois não sabe ser íntimo. São dois estranhos morando e comendo no mesmo teto. A solidão familiar é a mesma coisa: cada um em seu canto, não há proximidade física e nem tampouco afetividade. Não há espaço para diálogo, afeto, ternura, porque não há confiança mútua. Dar boas gargalhadas, um abraço bem redondo, cumplicidade, elogios, reconhecimento, não há nessa família. O intercâmbio de toques positivos é desestimulado.

Toques positivos são aqueles que convidam às pessoas que os recebem a sentirem-se bem. Atuam no sentido de valorizar, qualificar, aprovar, aceitar e incentivar o crescimento e aumentar a autoestima. Ex.: “Eu te amo”; “Adoro sua companhia”; Você é muito importante para mim”.

Toques negativos são aqueles que criticam, reprovam, diminuem ou rejeitam às pessoas, convidando-as a sentirem-se mal. Por isso, agem no sentido de desestimular ou mesmo bloquear o desenvolvimento das potencialidades individuais e baixam a autoestima. Ex: “Eu te odeio!”; “Suma da minha frente!”; “Não tenho tempo para perder com você!”.
Não obstante, não importa de que família você vem. O mais importante é se tornar uma “pessoa de transição” em sua própria família. Ser uma “pessoa de transição” significa barrar em você a transmissão dessas tendências negativas que lhe foram passadas pelos seus pais e não reproduzi-las às outras pessoas.

Se você veio de uma família mal humorada, extremamente crítica e condenadora, deve mudar isso e se tornar uma pessoa mais amorosa primeiramente consigo mesma, permitindo-se ser mais alegre, levar a vida de forma mais ‘light’, aprender a se elogiar e elogiar às pessoas. Terá de exercitar mais, até que se torne livre dessas tendências, dessas inclinações negativas. Então, você terá se transformado numa “figura de transição” em sua família.

Caso Clínico: Medo de ser feliz
Mulher de 51 anos, casada.

Veio ao meu consultório me indagando sobre o porquê de tanta infelicidade em sua vida. “Tudo é complicado e difícil em minha vida”, disse a paciente. Ela me relatou que havia contraído inúmeras doenças e se submetido a 11 cirurgias (três para tirar miomas e oito para extirpar as trompas, ovário, seios e vesícula). Sofria de hipotireoidismo, anemia crônica, problemas nas pernas (febre reumática), osteoporose e dificuldade de andar por conta de um acidente de carro (colisão). Recentemente, caiu e fraturou o braço esquerdo. Já teve embolia pulmonar e parada cardio-respiratória, ficando 32 dias em coma; felizmente, não teve nenhuma sequela.

Para terminar de relatar a lista de doenças que teve, disse-me que já havia tido também pancreatite aguda e foi submetida duas vezes à cirurgia de intestino.

Não tinha um sono profundo, cochilava e costumava acordar assustada. Tinha problemas de insônia e quando chegava de madrugada, perdia o sono e não conseguia mais dormir. Ela me relatou que sentia uma tristeza profunda desde criança. Disse-me que quando criança também contraiu quase todas as doenças infantis.
Portanto, queria entender o porquê de tantas doenças, essa tristeza profunda e angústia que a perseguiam desde criança.

Ao regredir, ela me disse: “Estou entrando num porão… É uma vida passada. Sinto um cheiro de coisa velha, estragada, de mofo. Sinto também falta de ar, estou passando mal (paciente começa a respirar de forma ofegante).
Vejo um corredor, ando nele para chegar ao porão. Tem uma mesa, minha mãe dessa vida passada está lá. Tem uma mulher deitada na mesa… Oh, meu Deus! (começa a chorar e gritar).

Minha mãe tira a criança, está fazendo um aborto. A moça está deitada, cheia de sangue, grita muito… Minha mãe tirou a criança.
Mas não é só uma criança, ela abortou muitas crianças… Essas crianças vão me culpar. Que cheiro, meu Deus! (chora copiosamente).
Eu a ajudei na prática desses abortos, enterramos muitas crianças… Eu também tirei um nenê, pois estava grávida. O pai da criança não quis ficar comigo. Eu não tinha como cuidar dela. Eu tirei um nenê de três meses, por isso seu espírito ainda hoje me odeia.

Minha mãe me falou que tínhamos que ganhar dinheiro praticando abortos. A gente tirou muitas crianças, elas estão com muita raiva de mim. Eu escuto o choro delas! (paciente fecha os ouvidos com as mãos). Minha mãe é uma mulher gorda, grandona, suja, cabelos desarrumados. Ela é muito feia. Vejo muitos espíritos escuros do lado dela (seres desencarnados obsessores das trevas).

Sou muito magra, minhas mãos são muito grandes, cheias de calos, muito sujas”.(pausa).

– Peço para que a paciente prossiga na cena.
“Eu tenho que parar com tudo isso. A minha mãe está no porão. Se ela sair do porão vai continuar a matar mais crianças. Eu tenho que prendê-la… Vou fechar o porão lacrando a porta”.
– O que foi que aconteceu com a sua mãe? – indago-lhe
“Fechei a porta, ela está presa lá dentro. Ela não vai mais poder fazer mal a ninguém. Estou do lado de fora. Eu saí do porão, mas não tenho para onde ir, estou sem destino.

Agora, estou correndo e caí, bati a cabeça numa pedra… Foi aí que eu morri”.

– Peço-lhe que me descreva o que aconteceu com ela depois de sua morte física?
“Estou fora do meu corpo. Sinto muitas mãos querendo me pegar. Estou num lugar escuro, cheio de fumaça. Tem uma mulher vindo em minha direção. Oh, meu Deus! É a minha mãe. Ela morreu no porão. Ela está com muita raiva de mim… Vejo gente caída, atolada, elas ficam pondo a mão em mim (paciente estava descrevendo o plano espiritual inferior, das trevas).

Eu preciso sair daqui… Socorro! Socorro! (ela começa a chorar e a gritar). A minha roupa está suja, não consigo nem andar”.

– Peço-lhe que avance mais para frente nessa cena.
“Vejo agora duas pessoas, um casal, que me tira desse lugar. São seres de luz, espíritos socorristas. Eles estão me levando e falam que tenho que dormir porque estou muito cansada. Estou com sono e muito machucada. Eles falam que preciso me curar. Falo que não mereço dormir, pois tirei o meu nenê, matei minha mãe e muitas crianças. As vozes, os choros dessas crianças que matei falam que nunca vão me perdoar. Será que um dia Deus me perdoa?
Agora, estou dormindo. Estou num quarto, é tudo claro (ela estava descrevendo o plano espiritual de luz).

Vejo uma mulher, uma senhora de cabelos esbranquiçados… Ela diz que é a minha mentora espiritual e está vestida de azul. Fala que vou ver algumas pessoas. Estou flutuando, é noite, estou num lugar, não estou mais machucada. Estou dentro de uma casa. Essa senhora está comigo e diz que vou morar nessa casa.
É uma casa grande, está todo mundo comemorando alguma coisa, mas ninguém vê a gente. Vejo uma mulher grávida. A minha mentora espiritual revela que essa mulher será a minha futura mãe e vou vir de novo à vida terrena (reencarnar). Está todo mundo comemorando a gravidez dela. As pessoas escrevem seus nomes num livro. Na capa do livro está escrito: 1964(ano que a paciente nasceu na vida atual).
Eu estou com medo, não quero voltar. Se voltar tenho medo de errar novamente. Lá no porão, eles (os espíritos das crianças) falaram que Deus vai me castigar. E se eu reencarnar novamente, Deus vai me castigar. Mas a minha mentora espiritual me diz que vou ter que voltar… Por que tenho que morar nesta casa? Nem conheço essa moça (mãe da vida atual). Quero ir embora, eu tenho que dormir, não quero voltar, eu já falei! (fala com raiva, gritando).
No lugar onde estava (plano espiritual de luz) eu me sentia bem, eu ajudava no jardim, gostava da biblioteca, lia muito. Não quero mais voltar! Eu quero ficar lá!(grita)”.

– Peço, em seguida, para que ela se sinta no 1º trimestre de gestação no útero de sua mãe na vida atual.
“Quero ir embora. Minha mãe fica chorando porque tem medo de me perder. Eu quero ir embora, sair daqui! (começa a gritar).
Aquela senhora, minha mentora espiritual, que cuidou de mim no astral fala para ter paciência, que é para o meu bem reencarnar novamente. Mas não quero ficar aqui. Minha mãe chora porque tem medo de me perder. Mas nem a conheço!

– Vá agora para o 2º trimestre de gestação, peço-lhe.
“Que lugar apertado! É muito apertado! Eu preciso sair desse lugar. Eu quero sair daqui, que droga! (esmurra o divã). Quero ir embora, voltar para minha casa (mundo espiritual)”.

– Vá para o 3º trimestre de gestação, peço-lhe novamente.
“ Minha mãe está feliz, mas eu não. Sinto que não vou ser feliz porque pequei, Deus vai me castigar”.

– Vá para o momento de seu nascimento, peço-lhe.
“ Eu me sinto triste, quero ir embora, não quero nascer”.

– Qual o seu propósito de vida nesta encarnação atual? – pergunto-lhe.
“ A minha mentora espiritual me diz: – Você precisa se perdoar. Se você se perdoar irá sentir que Deus te perdoou… Agora me vejo deitada no berço… Sinto a presença de minha mentora espiritual nos momentos mais difíceis de minha vida atual”.

Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que estava se sentindo muito bem, pois compreendeu que o seu maior desafio na vida atual era se perdoar, e que essas doenças que contraíra, foi uma forma de se autopunir. Na verdade, não era castigo de Deus, mas, sim, sua alma que estava lhe cobrando pelo que fizera nessa vida passada. Ao encerrarmos o nosso trabalho, ela me confidenciou algo que me deixou muito feliz: resolveu construir um orfanato para reparar seus erros do passado.

 

 

 

 

 

 

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2 comentários em “Medo de Amar

  1. Que caso tocante!!
    Quantas dores e desencantos trazemos com nós. e queremos encontrar resposta em apenas uma encarnação.
    Precisamos caminhar mais, buscar a nossa cura, para que possamos ser mais amáveis , mais leves e felizes.
    Há um longo trajeto pela frente…

    Ainda irei aí…

    Gde abraço e gratidão por tudo de bom que nos traz.

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  2. Muita luz e paz em nossos corações!!

    “Precisamos nos perdoar” que palavra libertadora, é como se ecoasse em nossa alma, tirando de nós um peso imenso.

    Que Deus através dos bons espiritos abençõe este trabalho misericordioso!!

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